sábado, 29-ago-2020

fonte: acervo pessoal
fonte: acervo

(Música para acompanhar: Vento Alecrim - Gilsons)

   Se me perguntassem qual a melhor sensação sensação da vida, eu diria: fechar os olhos com o rosto virado para o sol da manhã.

   Já era final de agosto e naquela manhã de sábado o sol finalmente retornara. Fui para varanda do meu quarto depois de um início de manhã conturbado. Peguei meu livro e sentei no banco de madeira pintado de amarelo e que minha mãe detestava. ''Eu gosto dele. É alegre'', pensei.

   Na varanda, além de uma poeira de rua insistente, tem também um ramo de eucalipto. Já está seco, mas ainda dá para sentir sua fragrância verde e fresca. Abri o livro. O sol já estava muito forte e acabei largando-o pois meus olhos ardiam com a tentativa de mantê-los abertos. Então os fechei e virei o rosto para cima em direção ao Sol.
  O calor esquentou suavemente minhas pálpebras e o senti percorrendo meu rosto: testa, bochechas, meu queixo... descendo para os ombros, meus braços... como se alguém estivesse passando uma pena fofa e morna em minha pele fria.

   O resto do mundo permanecia em movimento. Ouvia os carros em um ritmo constante passando lá na estrada, ouvia os pássaros cantarolando, cachorros latiam de algum lugar distante, uma gargalhada... Sentia cheiro de café e de roupas recém-lavadas secando no varal. Mas eu, parecia que estava parada no tempo. 
  
   Ainda de olhos fechados, agora o vento brincava com meus cabelos e me refrescava. Abri os olhos e olhei para o céu. Estava limpo, sem nenhuma nuvem salpicando de branco sua imensidão azul. Minha pele já estava levemente avermelhada e as gotículas de suor a faziam ter um brilho que parecia glitter dourado. Me peguei sorrindo. O coração, assim como a minha mente estava calmo e apesar do começo tortuoso e estressante do dia, ali parada naquele momento infinito, me sentia acolhida, estava em paz.

Por: Letícia O.

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