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| Fonte: Pinterest |
Tenho estado mais melancólica que nunca.
Eu não sei se é a solidão ou se é só o tempo que resolveu ficar nublado. ''Cariocas não gostam de dias nublados'' já dizia essa música tão popular... mas eu nunca fui muito do tipo que se encaixa em padrões óbvios demais.
Também não sei dizer se estou muito influenciada pelos filmes que vejo e livros que leio, mas quando fico assim, o mundo muda de ritmo e tudo que faço e olho ganha um estado de atenção plena, como se fossem frames de um filme de um diretor no qual você jamais saberia pronunciar o nome. Cada fragmento de um ato cotidiano e por vezes repetitivo, ganha tal importância e imagino que com a trilha sonora perfeita poderia virar um curta aclamado.
Em dias assim, sinto saudades de ver a vida lá fora. Não que eu não sinta essa falta a todo momento que estou dentro de casa, mas nesses dias a saudade é tão latente que dói como um relacionamento que acabou. Ou talvez de certa forma, seja isso mesmo. Um relacionamento com a vida e por que por ''motivos de força maior'' esteja tendo um ano ruim, à beira do término.
Perdi as contas de quantas xícaras de café tomei hoje, quantos filmes de romance assisti... Até um filme de ação encarei... qualquer coisa que pudesse fazer o coração palpitar, se fazer presente, se extasiar por um pouco de aventura... Nada. Parece até uma forma de me castigar por tê-lo forçado viver emoções projetadas. ''Você não está realmente apaixonada pelo mocinho'', ''você não está sendo perseguida e fazendo manobras arriscadas em um carro em alta velocidade'', eu escuto ele dizer a mim mesma. Rude.
Me encarei no espelho calada por meia hora. Desta vez não fui dura comigo ressaltando meus defeitos. O reflexo também me encarava cabisbaixo, não pude ser tão dura. Ao invés disso, passei um batom e me imaginei em uma sequencia de um filme francês de novo. Très mélancolique...
Eu gostaria de trazer um desfecho positivo, mas a real é que no momento apenas o torpor me toma conta. Não estou incomodada, se quer mesmo saber. Até gosto. Dias assim tem sua beleza. Afinal, o voo dos pássaros, os desenhos que as manchas molhadas que os pingos de chuva deixam ao tocar o asfalto seco, passariam despercebidos ou insignificantes através de olhos felizes demais. Estou aprendendo a dançar sozinha no escuro sem me importar se vai haver música para me embalar esperando o próximo dia de sol que poderá me animar.
Até.
Por: Letícia O.




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